Tudo sobre ponto-gatilho e como aliviá-los | Gatilhex

GATILHEX – Uma terapia manual efetiva não deve ignorar o ponto-gatilho. Este nódulo pode gerar dores e até evoluir para problemas crônicos.

Continue lendo para saber:

  • O que é o ponto-gatilho
  • Como ele se forma
  • Tecidos em que se eles se formam
  • Problemas que o ponto-gatilho pode causar no paciente
  • Terapias para alívio de pontos-gatilho
  • Equipamentos que ajudam a desativar os pontos-gatilho

Nos consultórios e clínicas de Fisioterapia, uma das mais comuns reclamações é a dor muscular.

Ela pode causar desde pequenos desconfortos, até o constante incômodo que chega a impossibilitar a livre movimentação do paciente.

Os tratamentos para estas dores, assim como suas causas, são dos mais variados tipos. Mas, invariavelmente, devem passar pela detecção e o alívio dos pontos-gatilhos tensionados.

Isso porque ele pode voltar a causar as dores musculares, caso não seja liberado. Vamos explicar como isso acontece, mas começando pelo começo:

O que é o ponto-gatilho?

Muitas vezes o paciente já chega com a queixa de dor e aponta a determinado local:

dormuscular-pontogatilho

“Estou sentindo uma bolinha aqui”.

Esta “bolinha” é um nódulo tensionado, que se chama ponto-gatilho.
No caso de o paciente chegar a percebê-lo na palpação, é porque o ponto está realmente irritado.

Estando irritado, significa que há ali um ponto-gatilho ativo. Não apenas o nódulo tensionado, mas todo o tecido relacionado fica prejudicado. Vamos explicar por que isso ocorre mais à frente,

Mas, acontece que nem todos os pontos-gatilho estão ativos. Alguns permanecem latentes, e só são perceptíveis mediante pressão no ponto exato. O toque direto sobre a localização do ponto-gatilho latente é que desencadeia o mecanismo de dor.

Existem ainda os chamados pontos-gatilho satélites. Eles são gerados a partir da irradiação da dor por um ponto-gatilho irritado. Os tecidos afetados se tensionam, gerando novos pontos-gatilhos.

Todos eles devem ser desativados em terapia.

Por que desativar os pontos-gatilho, mesmo latentes?

O ponto-gatilho pode acontecer em vários tecidos do corpo humano. Músculos, tendões, ligamentos e fáscia são os mais comuns.

Saiba mais sobre a fáscia e a liberação miofascial

Acontece como se as fibras do local se entrelaçassem e formassem um nó. Nos locais por onde antes passavam diversas combinações de sangue e nutrientes, ocorre um bloqueio.

Assim, diversas toxinas ficam presas no local do ponto-gatilho e são impedidas de circular para serem metabolizadas e eliminadas do organismo. Este acúmulo de elementos nocivos no local causa as chamadas dores referidas.

dores-referidas-ponto-gatilho

São elas que causam aquele prejuízo aos tecidos relacionados, como falamos acima.

Elas acontecem pois as inervações do organismo são ligadas às fibras sensoriais nervosas e têm ligação direta com a coluna espinhal, por onde passa um dos principais caminhos do sistema nervoso central. Outras ligações nervosas que passam pela mesma vértebra dos nervos irritados tendem a se irritar também.

Assim, um ponto-gatilho latente pode estar causando dores em outro local do corpo. Isso atrapalha um diagnóstico preciso e é o motivo de vários tratamento errados.

E como se formam os pontos-gatilho?

O tensionamento excessivo de um nervo, músculo, fáscia ou outro tecido têm diversas possibilidades de origem.

É importante discutir o histórico – tanto familiar como individual – do paciente, assim como seus hábitos e acontecimentos recentes.

Podem causar pontos-gatilho:

Treinos inadequados

O início de um treinamento sem auxílio de profissional. O excessivo esforço sobre determinadas áreas. A falta de revezamento entre grupos de músculos exercitados a cada dia. Treinos inadequados são um dos principais motivos para o surgimento e ativação de pontos-gatilho.

Sedentarismo

O contrário também é verdadeiro. O corpo não foi feito para ficar imóvel por longos períodos. Da mesma maneira que músculos, tendões, fáscia e ligamentos se prejudicam com esforço excessivo, se prejudicam quando não há esforço algum.

Inadequação postural

Por isso é necessário repensar os hábitos do paciente. Às vezes um ponto-gatilho pode ser ativado pela posição preferida do paciente ao usar um computador. Ou à posição errada da TV em relação ao pescoço. Mudar hábitos após a liberação dos pontos-gatilho evita que eles ressurjam.

Posições no sono

Travesseiros demais, colchão muito mole, posições desconfortáveis: você pode ativar um ponto-gatilho até dormindo. Como não há posição universal para evitar dores ao dormir, indique ao paciente que observe as noites de sono em que ele acorda sem dores. Assim, ele poderá tentar repetir a mesma posição, número de travesseiros, etc. e buscar manter esta nova rotina de sono.

Traumas musculares

Movimentos repentinos e bruscos, quedas, batidas, acidentes e outros fatores além dos treinos causam traumas musculares. No caso de ocasiões pontuais, como um acidente ou batida, o paciente saberá indicar exatamente o local da lesão. Isso pode facilitar na identificação do ponto-gatilho ativado.

Estresse

As contrações musculares relacionadas ao estresse podem gerar pontos-gatilho. Em situações de tensão psicológica, nosso organismo libera hormônios como o cortisol.
No momento do estresse, o cortisol é determinante para a recuperação da pessoa. Porém, em altas concentrações por período prolongado, ele pode alterar as reservas de proteína nos músculos e tecidos conjuntivos (como a fáscia). Isso provoca perda de tecido muscular no longo prazo.
Assim, os pontos-gatilhos formados por estresse têm mais este agravante.

Problemas gerados pelo ponto-gatilho

Como se as dores no local não fosse incômodo o suficiente, ainda existem outros problemas de saúde relacionados aos pontos-gatilho.

  • diminuição do fluxo sanguíneo, que pode agravar patologias pré-existentes
  • perda de amplitude e até incapacitação à realização de determinados movimentos
  • rigidez muscular
  • diminuição da flexibilidade
  • geração de novos pontos-gatilhos ao redor das dores referidas

Terapias para alívio dos pontos-gatilho

Como já dissemos, são várias as alternativas de tratamento para o alívio dos pontos-gatilho. Vamos a algumas delas:

Terapia medicamentosa

Os anti-inflamatórios e analgésicos têm sido indicados para o alívio das dores musculares. Também podem ser combinados com o uso de relaxantes musculares. Eles são altamente eficazes no curto prazo e podem trazer alívio quase que imediato.

Os principais problemas com esta opção são:

  • não é ideal manter o uso destes medicamentos por tempo prolongado
  • o alívio nas dores não significa a cura da origem do problema, ou seja, isso vai causar reincidência.

Resfriamento e aquecimento

gelo-agua-quente

O gelo tem efeito analgésico e, por isso é utilizado para alívio momentâneo. Algumas vertentes terapêuticas também consideram o calor como uma forma de induzir o relaxamento das dores. A questão aqui é que ele pode surtir efeito contrário, pois aumenta a circulação sanguínea no local. Com mais sangue, os nervos ficam mais sensíveis, e as dores podem piorar antes de melhorar.

Técnicas de agulhamento

agulhamento-seco

Acupuntura, agulhamento a seco ou com substâncias anestésicas são outras opções de tratamento para pontos-gatilho. Elas consistem em inserir agulhas diretamente sobre o ponto-gatilho identificado.

No caso do agulhamento a seco, o alívio vem através da própria agulhada no local certo. Mas o terapeuta pode optar por utilizar anestésicos – o que descaracteriza o agulhamento como “a seco”.

Liberação Miofascial

A Liberação Miofascial é um tipo de terapia manual que consiste em desativar os pontos-gatilho através da manipulação.

Consideramos esta a técnica mais segura por diversos fatores:

  • não exige o uso de medicamentos sintéticos
  • não realiza perfurações no tecido epitelial
  • trata a origem da dor, diminuindo as chances de recidiva
  • tem efeito mais prolongado que o uso de gelo e analgésicos

A técnica pode ser realizada com as mãos ou com auxílio de equipamentos como o Gatilhex.

Existem duas diferenças essenciais entre a manipulação manual e a com instrumentos. São elas a profundidade dos pontos-gatilho alcançados e o esforço que o terapeuta exerce.

Manualmente é possível atingir os pontos localizados nos tecidos mais superficiais. Isso vai trazer alívio, mas provavelmente não será suficiente para o relaxamento de tensionamentos mais profundos.

liberacao-manual-ponto-gatilhoAlém disso, para alcançar e produzir a pressão necessária para a liberação, o terapeuta tem q fazer força. E, com isso, ao liberar pontos-gatilho nos pacientes, pode estar gerando e ativando pontos-gatilho em si mesmo.

A aplicação de força é um dos motivos limitantes para os fisioterapeutas que praticam liberação miofascial manual. O número de sessões diárias deve ser reduzido para evitar a sobrecarga e as lesões.

Liberação dos pontos-gatilho com instrumentos

Existem equipamentos que auxiliam o fisioterapeuta nas liberações. O objetivo é diminuir a força que o fisioterapeuta exerce sobre o corpo do paciente.

As consequências diretas dessa diminuição de força aplicada são duas:

  • menores chances de lesão e cansaço no fisioterapeuta
  • capacidade física aumentada para mais sessões diárias

gatilhex

Para o paciente também há benefícios. Os formatos dos equipamentos proporcionam o alcance de tecidos mais profundos e a maior precisão na aplicação.

Conheça alguns equipamentos

Gatilhex Polegar

Ele é literalmente um “polegar de aço” e reproduz o formato do dedo polegar. Mas, como é de aço inoxidável, exige por volta de um terço da força que você aplicaria na terapia manual.

gatilhex polegar

Ele é vendido pela internet e é personalizável, ou seja, você pode escrever seu nome, ou da sua clínica.

O material ainda faz com que o equipamento seja praticamente vitalício, porque não oxida. Já o formato é ideal para a liberação de pontos-gatilho médios a grandes.

Gatilhex Caneta

Voltada para alcance superficial ou profundo de pontos mais específicos, a Caneta tem calibre menor que um polegar. Por isso ela permite trabalhar suboccipitais, mãos e pés, até disfunções da ATM.

gatilhex caneta

Ela está disponível para venda na internet, também é personalizável e vem com um envelope para evitar riscos no transporte.

Gatilhex Carimbo

Esse é um equipamento mais robusto, voltado para pontos-gatilhos grandes. Ele alivia muito a prática para o terapeuta. A lógica é a seguinte: a força exercida pelo polegar do fisioterapeuta no ponto gatilho também é exercida pelo corpo do paciente no polegar que exerce a força. Entendeu? É uma questão física de ação e reação, de forças iguais em direções opostas.

O Carimbo permite que você descentralize a força que iria diretamente para o polegar. A força é feita pelo braço e aplicada pela palma da mão sobre a ferramenta. A ferramenta, por sua vez, aplica a pressão no ponto-gatilho, sem refletir nas mãos do profissional.

gatilhex carimbo

O Carimbo tem a ponta redonda, então você pode rotacioná-lo, para melhores resultados. O Gatilhex Carimbo está à venda nesse link.

E depois da liberação? Tudo certo?

A liberação do ponto-gatilho, para resolver eficientemente a questão da dor, deve ter prosseguimento. O paciente deve ser incentivado a exercitar de maneira responsável e controlada sua musculatura.
O alongamento também é importante – embora não deva ser muito forte enquanto ainda houver nódulos.

Ainda, como a causa dos pontos-gatilho variam, é disso que dependerão as próximas atitudes do terapeuta e do paciente. Mas algumas sugestões são consenso entre especialistas:

  • reeducação postural pode ser uma ajuda para evitar novos pontos decorrentes da má postura
  • exercícios de relaxamento e meditação, no caso de pontos gerados pelo estresse
  • acompanhamento profissional, no caso de treinos inadequados

É importante explicar ao paciente as diferentes origens do problema. Dessa maneira você vai conscientizá-lo a repensar determinadas atitudes de modo a evitar dores futuras.

Por que: sim, o trabalho do fisioterapeuta depende das lesões, mas… a felicidade do fisioterapeuta é ver seu cliente sair sem dores e não precisar mais voltar tão cedo!