Tudo sobre a síndrome do piriforme

6 de fevereiro de 2019

A síndrome do piriforme é um distúrbio neuromuscular causado quando o nervo ciático é comprimido pelo músculo piriforme. Neste texto, você vai conhecer mais sobre os mecanismos que causam o problema nos pacientes:
O músculo piriforme é plano, e tem a aparência de uma faixa, que fica próximo ao topo da articulação do quadril. Esse músculo é um dos componentes responsáveis pelos movimentos dos quadris e das pernas. Ele permite caminhar, manter o equilíbrio e mudar o peso de um pé para o outro. Sua importância vital para a movimentação dos membros inferiores deve-se à sua capacidade de estabilizar a articulação do quadril, além de possibilitar levantar e girar a coxa para longe do corpo.
Já o nervo ciático é um nervo localiza-se a partir do quadril, passa ao lado ou atravessa o músculo piriforme, descendo até eventualmente se ramificar em nervos menores que terminam nos pés.
Tanto nervo quanto músculo devem funcionar em perfeita harmonia. Qualquer inadequação entre eles pode acarretar em disfunções ou incômodos aos pacientes.

Síndrome do piriforme: tipos e causas

Para entender a síndrome do piriforme apropriadamente é necessário que o fisioterapeuta tenha conhecimento das variações que podem existir na relação entre o nervo ciático e o músculo piriforme.
Que tipo de variações são essas? Em 96% da população, o nervo ciático sai do forame isquiático maior ao longo da superfície inferior do músculo piriforme. Em 22% da população, o nervo isquiático perfura o músculo piriforme, dividindo-o – ou não – e tornando, em qualquer dessas situações, mais fácil o desenvolvimento da síndrome do piriforme.

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Imagem: Shutterstock

Existem dois tipos de síndrome do piriforme: primária e secundária. A síndrome do piriforme primária tem causa anatômica, como a que acabamos de ver e representa 15% dos casos. A síndrome do piriforme secundária ocorre como resultado de traumas, tais como:

  • Microtraumas: causado por pequenas lesões repetitivas, que podem resultar no uso excessivo do músculo piriforme. Isso acontece quando andamos ou corremos em longas distâncias. Ou por compressão direta, como quando ficamos sentados por muito tempo;
  • Macrotraumas: são causados por traumas maiores, como quedas ou acidentes de carro.

Síndrome do piriforme: sintomas

O sintoma mais comum dentre pessoas com síndrome do piriforme é o aparecimento e aumento da dor após ficar sentado por 15-20 minutos. Muitos pacientes reclamam de dor sobre o músculo piriforme, principalmente sobre os anexos do músculo, na região do sacro e do trocanter maior medial. Os sintomas podem ser, inicialmente, tanto súbitos quanto graduais e estão normalmente associados ao espasmo do músculo piriforme ou à compressão do nervo ciático. Os pacientes também podem se queixar de dificuldades para andar e de dor ao fazer a rotação interna da perna ipsilateral.
Outras sintomas podem incluir:

  • Dor ao ficar em pé ou deitado por mais de 15-20 minutos;
  • Dor e/ou parestesia proveniente do sacro, através da área glútea e abaixo do aspecto posterior da coxa, geralmente parando acima do joelho;
  • Dor aumenta ao caminhar e também piora quando não há qualquer movimento;
  • Dor ao se levantar;
  • A mudança de posição não alivia a dor completamente;
  • Dor sacroilíaca contralateral;
  • Dormência no pé;
  • Fraqueza na extremidade inferior ipsilateral;
  • Dor de cabeça;
  • Dor no pescoço;
  • Dor pélvica, abdominal e inguinal;
  • Dispareunia em mulheres;
  • Dor durante evacuação.

Síndrome do piriforme: diagnóstico

Não são raros os casos em que a síndrome do piriforme não é identificada. (Ou ainda, em que acaba sendo diagnosticada como outro problema que apresenta os mesmos sintomas.) Por exemplo: pelo menos 6% dos pacientes com dor lombar tem na verdade síndrome do piriforme.
O atraso no diagnóstico adequado pode levar a complicações no nervo ciático, disfunção somática crônica e outras alterações que têm por objetivo compensar os danos causados pela síndrome. Essas compensações resultam em dor, parestesia, hiperestesia e fraqueza muscular.
A dificuldade em diagnosticar acontece porque não existe teste definitivo para identificar o problema. O diagnóstico é feito pelo relato do paciente sobre os sintomas e pelo exame físico, onde as seguintes manobras são feitas:

  • Freiberg;
  • FAIR (flexão, adução, rotação interna);
  • Pace.

Esses movimentos, entre outros, são feitos para alongar o piriforme irritado ou provocar compressões do nervo ciático. Geralmente um músculo piriforme contraído ou sensível pode ser encontrado durante esse exame.
Além disso, como os sintomas são parecidos em outras condições, exames radiológicos, como ressonância magnética, podem ser necessários para descartar outras possíveis causas de compressão do nervo.
O diagnóstico através de diversas frentes (assim como o tratamento multidisciplinar)é sempre indicado, pois abrange mais possibilidades e pode trazer resultados mais concretos.

Síndrome do piriforme: tratamento

O tratamento tradicional, desde que feito com antecedência, é ainda o mais eficaz. Estudos relatam que mais de 79% dos pacientes com síndrome do piriforme tiveram redução do sintoma com o uso de antiinflamatórios não-esteróides (AINEs), relaxantes musculares, gelo e repouso.

Fisioterapia

O alongamento do músculo piriforme e o fortalecimento dos músculos abdutores e adutores também devem ser somados aos planos de tratamento do paciente.
A fisioterapia elimina os sintomas através de um programa que tem por objetivo aumentar a amplitude dos movimentos dos músculos e articulações próximas e envolvidas. Além disso, aumenta a força de suporte desses músculos. O fortalecimento dos músculos adutores do quadril se mostraram especialmente benéficos para pacientes com a síndrome do piriforme.

Terapia manual

Contudo, sabemos que o diagnóstico nem sempre acontece rapidamente. Então, uma abordagem manual muitas vezes também se faz necessária para a recuperação do paciente. Pode-se combinar técnicas de tecido mole, liberação miofascial, energia muscular etc. É importante ter conhecimentos de técnicas variadas para que, seja qual for a situação, a dor e todas as disfunções possam ser tratadas.

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Imagem: Shutterstock

Liberação miofascial

Assim como qualquer tipo de dor, a síndrome do piriforme é desenvolvida de diferentes maneiras, variando de pessoa para pessoa. Então, quando se trata da forma como essa dor é tratada não poderia ser o mesmo para todos os pacientes. Muitas pessoas continuam a sentir a dor, apesar de visitar vários especialistas, tomar medicações etc. Por essa razão, como já mencionamos, o fisioterapeuta deve ter a capacidade de reconhecer e oferecer o tratamento mais adequado para ajudar seu paciente.
A liberação miofascial é uma terapia complementar para a síndrome do piriforme. Nos casos em que é utilizada, sua eficácia permite restaurar o corpo. Assim, devolvendo seu equilíbrio normal, permitimos também que os pacientes continuem com suas vidas sem a dor.
A técnica inclui trabalho sobre os músculos e tecidos moles dos quadris, nádegas e coxa, incluindo também o próprio piriforme.
Esse tecido mole, as chamadas fáscias, tem um papel muito importante em nosso organismo e o afeta como um todo. Muitos tipos de dor estão a ela relacionadas e muitas delas são tratadas quando tratamos da fáscia. Tendo, então, um papel tão importante em nosso sistema musculoesquelético o conhecimento sobre a técnica é imprescindível para todo fisioterapeuta capacitado.
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Nos pacientes com síndrome do piriforme, a liberação miofascial pode relaxar as fáscias que envolvem o músculo, diminuindo a compressão que ele exerce sobre o nervo. Dessa maneira, permite-se o retorno da circulação de nutrientes e a dor é aliviada.

Outras formas de tratamento

Se o paciente não responder adequadamente ao tratamento manual, a acupuntura e a injeção do ponto-gatilho podem ser levadas em conta. A injeção pode conter cloridrato de lidocaína, toxina botulínica tipo A ou esteróides.
Por fim, a intervenção cirúrgica é considerada apenas em último caso.

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