Projeto sobre a liberação miofascial no pós-operatório da mastectomia é premiado

5 de julho de 2019

Nos dias 14 e 15 de novembro de 2018, foi realizado em Berlim, o Quinto Congresso Internacional de Pesquisa da Fáscia (Fascia Research Congress), onde diversos estudos foram apresentados e premiados. Nele, as últimas e mais relevantes pesquisas referentes à fáscia foram compartilhadas. E, dessa vez, um estudo a respeito dos efeitos da liberação miofascial em pacientes no pós-operatório da mastectomia foi um dos vencedores, recebendo o primeiro lugar.
O FCR é uma importante iniciativa, que busca promover a colaboração entre cientistas que trabalham em pesquisas referentes à fáscia, bem como vários profissionais clínicos. Os vencedores foram escolhidos pelos Editores Associados do JBMT (Journal of Bodywork & Therapies Movement).
Neste artigo, iremos mostrar de que forma a liberação miofascial foi de extrema relevância no estudo apresentado.

A liberação miofascial e a recuperação do músculo e da movimentação

O termo liberação miofascial foi cunhado em 1960, mas é apenas nos dias atuais que reconhecemos sua real importância. Antes que possamos tratar especificamente do estudo sobre a mastectomia, devemos entender como a técnica ajuda na recuperação muscular e dos movimentos.
Não é raro que nossos músculos comecem a doer e incomodar. Muitas pessoas sofrem diariamente devido à limitações dolorosas causadas por problemas no sistema musculoesquelético. Então já podemos imaginar que o desejo por manter os músculos móveis e desimpedidos de tensão é algo muito procurado há bastante tempo. Muitas são as medidas tomadas para esse fim: alongamentos, banhos quentes ou em temperaturas baixíssimas. As possibilidades e tentativas são muitas.
A liberação miofascial é uma dessas possibilidades, uma técnica que vem mostrado um resultado mais satisfatório do que outros métodos. O termo pode parecer complexo à primeira vista, mas trata-se, essencialmente, de uma pressão aplicada sobre a musculatura do paciente por meio das mãos ou através de instrumentos específicos – a técnica é também conhecida por mobilização instrumental de tecidos moles por essa razão.
Mas o que a liberação miofascial faz exatamente?

mastectomia e liberação
Imagem: Shutterstock

A fáscia

Antes de entendermos a liberação miofascial, precisamos entender a fáscia. Fáscia é um tecido conjuntivo bastante fino, que se assemelha a uma teia de aranha, e que envolve e se entrelaça por todo o nosso corpo, cobrindo também nossos músculos. Quando um indivíduo fere um determinado músculo, uma substância semelhante ao tecido cicatricial, denominada de adesões, se acumula na fáscia. Isso tira dela sua elasticidade, comprometendo sua capacidade de dar suporte aos músculos e limitando os movimentos do indivíduo.
O objetivo da liberação miofascial é, portanto, desfazer esse acúmulo de aderências. O que provoca, por sua vez, o relaxamento muscular, trazendo a fáscia ao seu estado normal de flexibilidade novamente. A técnica é, então, muito utilizada para o tratamento de lesões. No entanto, isso não é tudo. A fáscia acumula tensão diariamente devido à micro lesões. O que, por sua vez, desencadeiam em problemas piores com o tempo. Por isso, a liberação miofascial também é muito utilizada para prevenção.

O que acontece à fáscia durante a liberação miofascial?

O que acontece durante a liberação é uma forte pressão sobre os tecidos (ainda mais profunda com o uso de instrumentos). Essa pressão quebra as aderências que se acumulam na fáscia. Quando essas aderências se desfazem, o fluxo sanguíneo é restaurado e os músculos passam a ser irrigados novamente como deveriam. Isso significa cura.
Estudos já comprovaram que a técnica ajuda, não só na recuperação muscular proporcionada pelo aumento do fluxo sanguíneo, mas também no aumento da amplitude de movimento. Afinal, como vimos, a fáscia volta a ser flexível, oferecendo o devido suporte aos movimentos do paciente.
Muitas pessoas podem se beneficiar desse método, desde trabalhadores de escritório até atletas. Muitos experienciam diariamente sintomas de músculos tensos que precisam ser tratados. Além disso, dores de cabeça, musculares, espasmos, dores crônicas, ou lesões recorrentes são alguns dos muitos sintomas que podem ter sua origem em problemas com a fáscia.
Sabendo mais a respeito da técnica de liberação miofascial, podemos agora, finalmente, entender seu papel no estudo sobre pós-operatório da mastectomia.

Estudo: liberação miofascial e fisioterapia convencional no pós-operatório da mastectomia

Mastectomia refere-se à remoção total da mama. Uma mastectomia simples ou total é direcionada para mulheres com múltiplas ou grandes áreas de carcinoma ductal in situ. Ou, então, para mulheres que procuram mastectomias profiláticas. Ou seja, que procuram pela remoção da mama para prevenir a ocorrência do câncer de mama.

mastectomia e liberação
Imagem: Shutterstock

A questão de nosso interesse é que a mastectomia pode ser bastante debilitante ao sistema musculoesquelético por causa da cirurgia. Dessa forma, percebe-se que um tratamento sobre o tecido cicatricial é necessário. Por isso a precisão de se considerar abordagens terapêuticas para o pós-operatório da mastectomia.
O objetivo do estudo foi, portanto, comparar os efeitos da liberação miofascial com o da fisioterapia convencional em pacientes que passaram pela mastectomia, a fim de melhorar a condição dessas mulheres.
Foram selecionados 48 pacientes aptas, as quais foram divididas em dois grupos. Um de 21 mulheres, que iriam passar 4 semanas realizando fisioterapia convencional (exercício e massagem). O outro grupo, de 27 mulheres, passou o mesmo período de tempo sob os cuidados da liberação miofascial.
Ao fim do tempo de 4 semanas, verificou-se que a liberação miofascial apresentou resultados superiores à fisioterapia convencional quanto à diminuição de pacientes que permaneceram com limitações em seus movimentos. Além disso, ocorreu uma melhora significativa da mobilidade na região da cicatriz.
Verificou-se, portanto, que a liberação miofascial apresenta um efeito muito positivo sobre a elasticidade muscular e sobre a amplitude de movimento.

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