Liberação miofascial na panturrilha: prevenção e recuperação

15 de fevereiro de 2019

Correr coloca um enorme estresse na região da panturrilha. Além disso, movimentos repetitivos, mesmo que feitos da maneira correta, têm um grande impacto ao longo do tempo. Isso pode rapidamente se transformar em uma lesão se for ignorado. Alongar-se antes de se exercitar é importante. Mas não é tudo. A liberação miofascial é um método que previne e trata lesões na panturrilha. O que a torna uma técnica preciosa para todo atleta.

Panturrilha: entendendo o grupo muscular

O gastrocnêmio e sóleo são os principais músculos que compõem a panturrilha. Sendo também os principais responsáveis por gerar a força necessária para movimentar o tornozelo. As fáscias (tecido conjuntivo) desses dois músculos, por sua vez, se unem para formar o tendão de Aquiles na parte de trás do tornozelo. Portanto, quando pensamos em panturrilha não podemos esquecer do tendão de Aquiles. Quando a panturrilha está tensa, ele também está. A relação entre ambos é tão evidente que um problema para um, se torna problema para os dois.
O tendão de Aquiles conduz a força dos músculos ao longo da articulação do tornozelo. Isso permite maior amplitude de movimentos como ficar na ponta dos pés ou abaixar os calcanhares, encostando todo o pé no chão. São movimentos fundamentais para quando corremos, ou simplesmente caminhamos.

Entendendo as lesões

Atletas, portanto, utilizam bastante esses músculos. Qualquer um que já tenha caprichado na corrida já sentiu dor nos músculos da panturrilha no dia seguinte.
Como são utilizados com frequência é muito fácil ficarem sobrecarregados e rígidos. Mas não é só por excesso. O problema surge também quando a corrida é realizada da maneira errada. Pesquisas mostraram, por exemplo, que a amplitude de movimento de dorsiflexão do tornozelo durante a atividade deve ser de 20º. Mas a maioria das pessoas está longe de alcançar esse valor.
Músculos nesse estado ficam menos flexíveis. Ou seja: eles não podem ser alongados adequadamente. Isso limita o movimento da articulação ligada a eles. Então, a tensão impede o tornozelo de se mover como deveria, especialmente ao dobrá-lo para levantar os dedos.
Quando corremos nesse estado de tensão, ainda mais pressão é colocada sobre o tendão de Aquiles. A razão para isso é que, durante a corrida, o peso do corpo passa pela articulação do tornozelo, levando à dorsiflexão. Isso, no entanto, exige que os músculos da panturrilha se alonguem e já vimos que isso não é possível em estado de rigidez. O que acaba por puxar o tendão de Aquiles, colocando-o em risco de tendinite, distensão muscular ou ruptura do tendão.

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Imagem: Shutterstock

Compensações

Além disso, nosso organismo reage naturalmente a restrições por meio de compensações. Todo o corpo está conectado. Não há uma única parte isolada. Tudo se comunica. Então, quando o movimento não pode ocorrer em uma articulação, o corpo compensa conseguindo-o por meio de uma área próxima.
Isso significa que, em um curto prazo de tempo, essa medida funciona muito bem e não sentimos diferença. Podemos nos movimentar normalmente como se tudo estivesse normal. Mas nada é tão simples assim. Se as compensações continuarem, lesões são inevitáveis. Afinal, a parte do corpo assumindo este novo papel não está preparada para suportar a carga adicional de trabalho.

Algumas das lesões na região da panturrilha incluem:

  • Tendinite do calcâneo;
  • Ruptura do tendão de Aquiles;
  • Estiramento na panturrilha;
  • Torção no tornozelo;
  • Condromalácia patelar;
  • Síndrome da Banda Iliotibial;
  • Fascite Plantar.

Como atletas podem então lidar com isso? Eles devem simplesmente parar de correr ou serem condenados a uma vida de lesões? Obviamente que não. Alongamentos são uma medida básica e indispensável que ajudam muito. Mas, mais do que simples alongamentos, para proteger a panturrilha dos atletas a liberação miofascial é o ideal.

Panturrilha: liberação miofascial e prevenção

Uma ótima maneira de aumentar a flexibilidade dos músculos da panturrilha é com a liberação miofascial. Mio se refere aos músculos e fascial ao tecido conjuntivo chamado de fáscia. Esse tecido envolve todo o nosso organismo (órgãos, músculos, nervos etc). Confere suporte, flexibilidade aos movimentos, entre outras funções (você pode conhecer mais sobre a fáscia aqui).
A liberação miofascial na panturrilha libera tensões que possam existir no local, alongando o músculo ao mesmo tempo em que alonga a fáscia também restrita. Portanto, ao utilizar essa técnica, o atleta trata das restrições antes que se transformem em lesões!
A liberação miofascial deve ser feita por um profissional habilitado. Para se tornar apto à aplicação da liberação miofascial, tanto na panturrilha como em outra área, basta que o fisioterapeuta se atualize através de cursos de especialização.
Investir na liberação miofascial significa um atendimento de alto nível, capaz de oferecer a melhor solução para lesões, que seriam de outra forma inevitáveis.

Auto liberação miofascial para a panturrilha

Após consultar-se com o fisioterapeuta, o paciente pode aprender algumas técnicas de auto liberação miofascial. Auxiliando-o em seu treino diário. Ela não é, então, restrita aos consultórios e deve ser ensinada, ainda que em sua forma mais simples. Afinal, a liberação miofascial deve ser aplicada à panturrilha com frequência.

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Imagem: Shutterstock

A auto liberação miofascial é aplicada através de rolos de massagem ou até mesmo com bolas de tênis. Sua aplicação é simples e sem grandes segredos: o paciente coloca pressão com o objeto em questão com movimentos lentos. Ao encontrar uma área de tensão, mantém a pressão sustentada de 3 a 5 minutos. Este auto-tratamento não é tão eficaz quanto o realizado pelo profissional. O paciente geralmente é leigo e não consegue identificar pontos-gatilho que podem ser a fonte das dores. Porém, o alívio temporário acontece também.

Panturrilha: liberação miofascial e tratamento

A liberação miofascial não é eficaz apenas como uma forma de prevenção de lesões na panturrilha. Mas também como tratamento: os danos já causados à fáscia são reversíveis com o uso da técnica.
A liberação miofascial irá agir sobre o local lesionado e suas aderências. Que podem estar espalhadas por outros lugares além da panturrilha por causa do caráter ininterrupto da fáscia. O fisioterapeuta pode sentir restrições em várias direções e trabalhar para melhorar o movimento em todos os lugares atingidos.
A técnica envolve o uso das mãos para aplicar pressão na pele e nos tecidos subjacentes. Os movimentos são lentos e a quantidade de força usada deve ser medida de acordo com a necessidade.

liberação miofascial panturrilha
Imagem: Shutterstock

Além disso, a técnica da liberação miofascial instrumental é também muito interessante de ser aplicada nestes casos. Esta técnica envolve o uso de instrumentos especiais de aço inoxidável. De várias formatos e tamanhos, eles são usados para massagear e mobilizar tecidos com mais eficiência. Os instrumentos tornam a técnica mais eficaz e possibilitam um maior conforto para o fisioterapeuta, pois não exigem esforço desnecessário para a sua aplicação.

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