Ondas fasciais: a transmissão da dor pelo corpo

27 de setembro de 2019

A fáscia se mostrou, com o passar dos anos, um fascinante componente do nosso organismo. Sendo responsável por diversas funções, dentre elas o suporte prestado a órgãos e a flexibilidade oferecida durante nossa movimentação. Porém o que sabemos sobre esse tecido é ainda muito pouco se comparado a todas as possibilidades que ele parece nos dar. Especialmente no que diz respeito ao tratamento de dores musculares e diversas outras patologias.

Mas há uma característica do tecido conjuntivo fascial que já é bastante conhecida entre os profissionais que lidam com a fáscia diariamente: ela envolve todo o organismo de maneira ininterrupta. E é justamente esse aspecto que estará em foco no estudo que veremos a seguir. Ele será muito importante para que possamos entender como essa característica pode afetar a maneira como sentimos dor. Confira:

Estudo: Ondas fasciais transmitem forças para pontos distantes

A hipótese levantada pelo estudo realizado pelo Albany Medical College foi de que ondas fasciais poderiam ser transmitidas a receptores de dor mesmo em pontos da fáscia e em periósteos mais distantes.

Isso porque as ondas, ao se moverem, transmitem padrões sinusoidais (oscilação repetitiva suave) através do ar, de líquidos e sólidos. Assim, o mesmo poderia acontecer com as ondas fasciais, que seriam capazes de propagar a dor através do tecido.

Durante o método utilizado para comprovar essa hipótese, a fáscia densa circunferencial de uma galinha morta e anteriormente dissecada foi colocada suspensa entre dois grampos. Depois, essa fáscia foi conectada a um transdutor líquido-elétrico por meio de um recipiente cheio de água.

As ondas induzidas na membrana fascial foram feitas usando uma extensão de dois milímetros de um calibrador de pneus.

fasciais - dor
Imagem: Shutterstock

Os resultados obtidos com o experimento indicou que:

  • 1 – a fáscia transmitiu uma onda ao recipiente transdutor, criando uma onda no osciloscópio (instrumento de medida de sinais elétricos/eletrônicos; imagem acima);
  • 2 – a amplitude da onda diminuiu com a distância do recipiente;
  • 3 – aumentar a tensão na fáscia diminuiu a amplitude da onda.

Em conclusão, o estudo apontou que:

  • As ondas transmitidas sobre a fáscia são mandadas para pontos distantes;
  • A fáscia tem uma força de tensão maior do que o músculo para transmitir ondas;
  • Os receptores de dor na fáscia podem ser estimulados por ondas, mesmo a distância;
  • As ondas podem ser transmitidas da fáscia do músculo para a fáscia do osso por conexões interfasciais.

Tais conclusões significam que a fáscia é um tecido com mais capacidade de transmitir ondas do que os músculos. Por isso, pode levar a dor sentida a diversos pontos do organismo, mesmo que estejam distantes de sua origem. É por essa razão que pacientes podem sentir dores em lugares afastados e não relacionados com a área realmente lesionada.

Dados como esse, podem ser usados para ajudar diversos profissionais que trabalham com a fáscia – seja durante o diagnóstico ou tratamento de pacientes, seja durante novas pesquisas. Contudo, infelizmente, a fáscia não tem recebido a atenção que merece.

Ainda que a grande maioria das pesquisas existentes a seu respeito sejam baseadas em evidências obtidas através de experimentos práticos, como o que acabamos de ver, elas não deixam de ser valiosas. Afinal, são esses estudos que nos permitem tentar entender um pouco mais sobre os mistérios relacionados à fáscia, ainda não sejamos capazes de entender seus mecanismos internos. Sendo assim devem ser incentivados!

Caso esteja interessado em ler mais sobre o assunto, acesse nosso blog! Lá você encontrará uma série de informações importantes: sobre a fáscia propriamente dita, patologias relacionadas a ela, assim como os melhores tratamentos – sejam eles instrumentais ou manuais.

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