Fáscia lata: conheça mais sobre ela

11 de outubro de 2019

A fáscia é um tipo de tecido fibroso que se encontra profundamente na pele e que permeia todo o nosso organismo – dos músculos aos nervos. Ela é responsável principalmente por alinhar, separar e dar suporte às estruturas dentro do corpo. Os tipos de fáscia mais importantes são três: a superficial, a profunda e a visceral. Neste artigo conheceremos mais detalhadamente um tipo ainda mais específico: a fáscia lata.

Estrutura Anatômica da Fáscia Lata

A fáscia lata é um tecido fascial do tipo profundo localizado na musculatura da coxa. Podemos compará-la a uma meia forte e elástica, que tem início ao redor da crista ilíaca e do ligamento inguinal e termina distal à tíbia. Porém não é como se a fáscia lata fosse isolada das demais. A fáscia é um tecido ininterrupto, então a fáscia lata, a partir desse ponto, é chamada de fáscia crural. Guarde essa informação, pois ela é muito importante para que entendamos como sentimos dor.

A fáscia lata varia em sua profundidade. Na região ao longo do aspecto súpero-lateral da coxa, ela é mais espessa, já que surge das condensações fasciais do glúteo máximo e médio. Também é grossa ao redor do joelho por receber fibras de reforço dos tendões dos músculos quadríceps. A menor profundidade é encontrada nos músculos adutores da coxa medial.

A parte mais profunda da fáscia lata origina três septos intermusculares, ligados centralmente ao fêmur. Esses septos dividem a musculatura da coxa em três compartimentos: anterior, medial e lateral. O septo lateral é o mais forte dos três, por causa do reforço do trato iliotibial (o qual ainda veremos adiante).

Além disso, um hiato ovóide, também chamado de abertura safena, está localizado na fáscia lata, abaixo do ligamento inguinal. Essa abertura funciona como entrada para os vasos linfáticos eferentes, que drena para os linfonodos inguinais superficiais, e para a veia safena magna, que drena a veia femoral.

Relações Anatômicas

Trato Iliotibial

O trato iliotibial, também conhecido como banda iliotibial, é uma parte da fáscia lata que se tornou mais grossa graças ao reforçado dado pelas fibras do glúteo máximo. A banda está localizado na parte lateral da coxa e se estende do tubérculo ilíaco ao côndilo lateral da tíbia.

A funções principais da banda iliotibial são as de:

  • Movimento, ao atuar como extensor, abdutor e rotador lateral do quadril. Além disso, também dá estabilização lateral à articulação do joelho;
  • Compartimentalização, pois a parte mais profunda do trato iliotibial se alonga na região central, formando assim o septo intermuscular lateral da coxa e ligando-se ao fêmur;
  • Bainha muscular ao redor do músculo tensor da fáscia lata.
Fáscia Lata
Imagem: Shutterstock

Tensor da fáscia lata

A denominação do tensor da fáscia lata deriva de um papel adicional que ele possui: o de tensionar a fáscia lata. Porém esse músculo é na verdade glúteo e atua como flexor, abdutor e rotador interno do quadril, sendo inervado pelo nervo do glúteo superior.

O músculo se origina na crista ilíaca. Mais precisamente na junção do terço médio e superior da coxa, onde se insere no aspecto anterior do trato iliotibial. Ao ser estimulado, o tensor da fáscia lata estica a banda iliotibial, dando suporte ao joelho, especialmente no momento em que o pé oposto é erguido.

A cada vez em que a fáscia lata é esticada, ela aproxima os músculos dos compartimentos anterior e posterior do fêmur. A contração dentro de cada um desses compartimentos, por sua vez, centraliza o peso muscular. Isso limita a expansão externa, diminuindo, assim, a força necessária para a movimentação na articulação do quadril.

Além disso, quando a fáscia lata é tensionada, ela também é responsável por fazer a contração muscular mais eficiente na compressão de veias profundas. Isso significa que o retorno adequado do sangue venoso ao coração é assegurado.

Alguns problemas causadas por excesso de tensão na Fáscia Lata

Quando o tensor da fáscia lata está tenso demais e deixar de receber o suprimento de sangue necessário por algum tempo (o que depende de paciente para paciente), ele poderá desenvolver pontos-gatilho miofasciais.

Os pontos-gatilho são áreas sensíveis do músculo ou do tecido conjuntivo (fáscia) que pode se tornar dolorosas quando ativadas. Pressionar um ponto de gatilho pode causar dor referida, ou seja, dor em lugares aparentemente não relacionados. Daí ser importante a característica ininterrupta da fáscia.

Assim, um ponto-gatilho no tensor da fáscia lata pode causar dor profunda na articulação do quadril, na parte externa da coxa, na virilha, nas nádegas, ou mesmo na perna. Além disso, também é possível que o ponto-gatilho nessa região produza tensão excessiva no músculo e no trato iliotibial. Isso contribui para uma condição conhecida como Síndrome da Banda IT.

Em outros casos, quando o tensor da fáscia lata se contrai cronicamente, isso pode exercer uma tensão mecânica sobre outros músculos, o que distorce o movimento articular. A dor pode ser sentida profundamente na articulação do quadril ou nos músculos dos glúteos, na virilha, envolvendo o quadril externo, na articulação sacroilíaca e até se espalhar por toda a perna.

Existem duas razões principais para isso:

  • Fraqueza no músculo reto femoral;
  • Tensão e encurtamento excessivo dos músculos psoas e ilíaco.

A tensão e o encurtamento muscular são comuns em muitos pessoas, já que são frequentes as situações em que permanecemos sentados durante muitas horas. Como consequência, os flexores primários do quadril, o psoas e o ilíaca, são colocados em uma posição reduzida. E, já que é algo frequente, isso pode fazer com que se adaptem a essa posição “encurtada”.

Mas isso não é tudo: no passo característico de alguns corredores, a perna se estende e se estica no joelho quando o pé atinge o chão. Esse movimento da perna desativa os músculos do quadríceps. Isso torna o quadríceps, especialmente o reto femoral, severamente subutilizado.

Fáscia Lata
Imagem: Shutterstock

O tratamento mais indicado para o alívio dos sintomas é a liberação miofascial do músculo, onde aplica-se pressão sobre o corpo do paciente. O tratamento pode ser feito manualmente ou com o auxílio de instrumentos especializados. Através da liberação miofascial diversos benefícios são obtidos, como a liberação da tensão, ganho de flexibilidade e o aumento da circulação sanguínea – essencial para o bom funcionamento dos músculos.

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