Evidências de que a síndrome do túnel do carpo pode ser ligada à fáscia

13 de setembro de 2019

O túnel do carpo compreende uma passagem estreita localizada no pulso que possui cerca de 2,5cm de largura. As “paredes” desse túnel são formadas por pequenos ossos do pulso chamados ossos do carpo. A síndrome do túnel do carpo ocorre quando esse túnel se torna ainda mais estreito ou quando os tecidos que circundam os tendões flexores incham. Em qualquer das situações, o nervo mediano, um dos principais nervos presentes na mão, passa a ser comprimido, o que leva a sintomas de dor, dormência, formigamento e fraqueza na mão.

Grande parte dos pacientes presencia a piora da síndrome do túnel do carpo com o passar do tempo. Por isso, quanto antes for realizado diagnóstico e tratamento, melhor. No início, os sintomas são aliviados com medidas simples: uso de tala de pulso ou ao evitar-se certas atividades. Mas, caso o nervo mediano continue a sofrer pressão, isso pode levar a danos maiores e também ao agravamento dos sintomas.

síndrome do tunel do carpo
Imagem: Shutterstock

Neste post, descobriremos outra forma de tratamento bastante eficaz que está relacionada à fáscia. Mas, antes de passarmos para essa etapa, cabe lembrarmos brevemente do que se trata esse tecido.

A fáscia é um tecido conjuntivo extremamente importante que permeia todo o organismo (de veias e nervos a músculos e ossos), mantendo-o conectado e em bom funcionamento. Entre outras funções, ela é responsável por garantir nossa flexibilidade, dando também suporte para movimentos simples e mais complexos.

Caso deseje saber um pouco mais sobre esse tecido, acesse nosso blog sobre a fáscia para mais detalhes!

Mas, agora, o que a fáscia tem a ver com a síndrome do túnel do carpo? Nós reunimos dois estudos que mostram que os dois estão relacionados. Confira a seguir:

”Papel das fáscias ao redor do nervo mediano na patogênese da síndrome do túnel do carpo: estudo microscópico e ultrassonográfico”

Este estudo foi realizado com o objetivo de investigar a relação entre a estrutura miofascial e o epineuro – camada mais externa de tecido conjuntivo localizado ao redor do nervo periférico. Dessa forma, pretendeu-se avaliar o possível papel da fáscia no desenvolvimento da síndrome do túnel carpal.

Na investigação, primeiro foi feito um estudo anatômico, no qual 9 membros superiores desassociados tiveram 4 amostras de nervo mediano e tecido circundante retiradas em 4 níveis diferentes para análise microscópica.

Além disso, imagens de ultrassom do nervo mediano foram analisadas em 11 indivíduos saudáveis ​​e 8 indivíduos com síndrome do túnel carpal. Nessa etapa, foi avaliado o deslocamento transversal do nervo mediano durante o terceiro dedo, assim como o movimento de todos os dedos no túnel do carpo e nos níveis do antebraço.

Em seu resultado, o estudo demonstrou uma clara ligação entre o epineuro, a bainha perineural do nervo mediano e a estrutura miofascial. Logo, é seguro apontar que o desequilíbrio das fáscias epimisiais deve ser considerado dentro do desenvolvimento da síndrome do túnel carpal.

Já o estudo ultrassonográfico confirmou o que pesquisas anteriores já apontavam sobre a redução do deslocamento no túnel do carpo, mas também mostrou a redução do deslocamento no antebraço. Isso sugere que a síndrome do túnel do carpo é mais do que uma compressão do nervo no túnel do carpo. Trata-se de um problema maior que pode comprometer os movimentos nervosos por todo o membro superior.

”A mobilização fascial pode melhorar a dimensão do túnel do carpo?”

Após confirmar com o estudo anterior o papel da estrutura miofascial na síndrome do túnel do carpo, passemos a outro estudo, que teve por objetivo observar se o tratamento sobre a fáscia poderia aumentar o espaço do túnel do carpo.

Durante a investigação, 6 membros superiores criopreservados foram utilizados. A morfologia e morfometria do túnel do carpo foram analisadas por ultrassonografia e pelo corte anatômico durante a técnica de mobilização fascial.

síndrome do túnel do carpo
Imagem: Shutterstock

O resultado do estudo demonstrou que a mobilização fascial do punho ocasiona alterações na forma do túnel do carpo e um deslocamento do nervo mediano e sua morfologia. Portanto, a pesquisa sugere que a mobilização fascial é uma boa opção de tratamento para pacientes com síndrome do túnel do carpo.

Concluímos, assim, que a fáscia, assim como tem influência sobre o desenvolvimento do problema, também pode ser sua solução.

Para saber mais sobre essa forma de tratamento que elvolve a fáscia, acesse outro de nossos artigos. É um post bastante completo e explicativo, no qual você também vai conhecer as diferentes modalidades da técnica – a manual e a instrumental. Não deixe de conferir!

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