Aderência cicatricial e o papel da fisioterapia

25 de setembro de 2019

Grande parte das aderências cicatriciais resultantes de lesões ou cirurgias dão origem a condições patológicas que causam dor, distúrbios funcionais ou mesmo psicológicos, além de danos cosméticos.

A fisioterapia pode ajudar a regenerar esses tecidos por meio de técnicas manuais, como a liberação miofascial, para diminuir a aderência e a formação de tecido cicatricial. Dessa forma, pacientes que sofrem desses problemas podem restaurar seu estado funcional normal.

Causas da aderência cicatricial

Quando os tecidos do corpo são danificados, o tecido cicatricial se desenvolverá, e isso faz parte do processo natural de cicatrização do organismo. Depois de uma lesão no músculo, tendão, ligamentos ou pele, o local inicia o processo inflamatório a fim de curar a lesão.

Dessa forma, o organismo garante que a lesão seja limpa e que novas células sejam levadas até o local para que volte a ser um tecido saudável outra vez. Algumas dessas novas células, por sua vez, são as células de colágeno.

As aderências cicatriciais são formadas a partir desse processo porque o corpo não sabe como organizar as células de colágeno muito bem. Então, ao invés de se tornarem tecidos saudáveis novamente, plenamente capazes de resistir às forças de alongamento e tração, é possível que o colágeno comece a se aglomerar. Essa ação faz com que a estrutura natural, assim como a flexibilidade anterior à lesão, sejam perdidas.

Porém, graças aos tratamentos fisioterápicos, a aderência cicatricial não é algo permanente. Por meio deles, o tecido danificado pode passar por um processo conhecido por remodelação. Assim, o acúmulo anormal de células – as aderências – são afrouxados e substituídos, pouco a pouco, por células adequadamente alinhadas.

O período de remodelação depende muito da lesão, podendo levar semanas, meses ou mesmo anos. Há casos também, como os de incisões abdominais profundas, nos quais o tecido cicatricial nunca desaparece completamente. Mas a melhora trazida pelo tratamento continua a ser significativa.

Promovendo a remodelação de tecidos

A remodelação do tecido cicatricial ocorre quando ele é esticado e puxado, o que causa ruptura do tecido fibrótico. O alongamento desse tecido proporciona o alinhamento das fibras de colágeno aglomeradas. Isso permite que voltem ao seu estado normal, devolvendo a capacidade das fibras de tolerar as forças que são colocadas sobre a pele diariamente.

aderência cicatricial
Imagem: Shutterstock

Sendo assim, as terapias manuais são altamente recomendadas como tratamento para melhorar a cicatrização, de modo a devolver sua elasticidade. O tratamento de manipulação sobre o tecido busca o aumento da amplitude de movimento, a redução da dor, assim como da coceira incômoda que costuma acompanhar cicatrizes. Além disso, devido às suas propriedades relaxantes, também alivia a ansiedade, melhora o humor e o estado mental geral dos pacientes.

Como método de tratamento, muitos fisioterapeutas costumam utilizar a manipulação sobre a pele conhecida como liberação e mobilização miofascial instrumental. As ferramentas metálicas empregadas pela técnica liberam aderências, esticando e mobilizando os tecidos moles. Isso inclui os músculos e a fáscia, onde elas se formam.

A técnica também pode ser feita manualmente, como as massagens tradicionais, mas, ao empregar instrumentos específicos, promove uma maior eficiência durante o processo de cura da aderência cicatricial de seus pacientes!

Prevenção

É importante apontar que, em casos cirúrgicos, é de extrema importância dar início a esse tratamento durante o pós-operatório. Pois, quando é aplicado de maneira precoce, as chances de se obter resultados mais satisfatórios são bem maiores.

Um fisioterapeuta dermatofuncional capacitado é capaz de prevenir a formação dessas aderências, tratando também aquelas que já estão formadas.

Assim, antes de mais nada, a terapia deve ter o objetivo de prevenir, controlando a formação de tecidos fibrosos para que não resultem em aderências cicatriciais. Ela agirá diretamente sobre a estrutura do colágeno cicatricial, modificando-o e orientado-o. Caso não se faça o tratamento de imediato, é inevitável que o paciente tenha problemas como os aqui vistos.

Caso queira mais informações a respeito dos efeitos da Manipulação Miofascial em Aderência Cicatricial de Pós-Operatório Tardio, confira o estudo realizado pela Faculdade IBRATE, o qual comprova a eficiência da técnica!

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